Teia de Flores

De Curitiba

June 27, 2008 · Leave a Comment

Escrevo da faculdade de Direito da UFPR, estou cobrindo o II Encontro de Terra e Cidadania. A maior parte platéia do encontro é formada por estudantes de Direito, muitos são daqui mesmo, Curitiba e outros tantos vieram do Campus da UFG em Goiás Velho. Os palestrantes são procuradores, juízes, promotores, professores, funcionários do INCRA e representantes de outras instituições.
O frio é grande, o trabalho é um tanto chato, mas estar por aqui é bem interessante. Conheci algumas coisas que ignorava, não por desconhecer completamente o assunto, mas especial por viver em uma outra realidade. O que vejo por aqui, no geral, é muito rico, são pessoas discutindo o acesso a Terra, as leis brasileiras, os meios de fazer com que eas se cumpram e como isso pode acontecer em favor das pessoas que estão ligadas ao campo. Nada mais atual, num Brasil que se assumi como celeiro, como grande produtor de etanol. A pergunta que não cala é: neste projeto de Brasil, onde entram as pessoas. Sim, aqueles que não são as máquinas ou o mercado do agro-negócio. Mas uma vez, este trabalhador do campo será deixado em último plano. 
Em meio a estas pessoas, perdida aqui no Paraná, eu percebo o quanto a realidade é diversa. Em minha visão preconceituosa do que poderia ser o tradicional curso de Direito em uma cidade conhecida pelo seu conservadorismo, surpreendo-me tendo contato com alunos engajados, dispostos a se lançar em atividades de extensão, fazendo a universidade participar da vida da comunidade que a cerca para transformá-la.
Vejo um CA presente e forte, o que só me traz enorme tristeza ao lembrar da apatia política de meus colegas e da acefalia do CA da Escola de Comunicação. A universidade sofre com os problemas de qualquer outra federal, funcionários que atrasam, falta de equipamentos, mas isso não se tornou uma desculpa para que a faculdade vira-se um lugar que parece estar completamente abandonado.
Dentre as coisas mais interessantes que descobri, está o fato do Paraná ser o Estado mais negro da região Sul. Essa descoberta, surpreendeu até as pessoas ligadas ao movimento negro paranaense, no que diz respeito à comunidade quilombolas, esperava-se encontrar cerca 20 grupos, foram mapeados 80. O estado que se orgulhava de ser o mais branco da nação, descobriu que trinta por cento da população curitibana é negra.
Também conheci aqui a primeira turma universitária turma direcionada para alunos beneficiários da Reforma Agrária. Este é um projeto piloto, que funciona no campus de Goiás Velho da Universidade Federal de Goiás. A única diferença entre esta turma e as outras quatro turmas de Direito do Campus de Goiás é que ela é intensiva, com aulas em dois turnos por noventa dias, enquanto nos noventa dias seguintes os estudantes podem ficar em seus estados, produzindo ou militando. Apesar disso, e dos alunos terem sido selecionados através de um vestibular a turma sofre acusações de ser inconstitucional e responde a processos no Ministério Púbico Federal de Goiás.

Para maiores informações: www.cooperativismopopular.ufrj.br, www.aenoticias.gov.pr.br, http://tv.ufrj.br/itcp

 

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